Eu gostaria de descrever melhor o que continua, após tantos anos, me atraindo em você, mas não sei dizer se é a voz desafinada e insegura, a forma suave como acaricia minha nuca e até mesmo o sarcasmo intrínseco em tudo o que você fala comigo. Eu culparia o teu abraço que não encaixa perfeitamente no meu, mas a gente se esforça tanto que fica ainda mais gostoso. O passado bate à nossa porta e a gente abre sorrindo, porque tudo o que a gente viveu (e sentiu) foi um sonho perfeito.
Quando brinco com a sua orelha entre os meus dedos, gosto de te ouvir resmungar por causa de tudo... a gente se parece tanto nesse ponto. Quando você respira e empurra pra frente o meu corpo, não consigo conter meus suspiros. Quando releio as coisas que você me disse, sorrio escondida corrigindo seus erros e não acredito que estou outra vez afim de você.
Você prevê a minha tristeza e me beija na testa um segundo antes que a única lágrima que eu me permito role pelo meu rosto. Mas essa noite você não viu que essa tristeza era sua, que só hoje eu chorei de verdade pelo nosso fim, mas mesmo assim desejei que você encontre outro sorriso como o seu, que devagarzinho te desarme, te aprisione e te faça querer viver pra sempre o mesmo momento feliz.
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